Estender o tempo
- Bárbara Viacava

- 29 de jan. de 2025
- 2 min de leitura
As coisas levam tempo para serem feitas. Nas rolagens rápidas das redes sociais, às vezes me acomete que perdemos a sensibilidade do tempo que leva para fazermos cada uma dessas coisas.
Percebi que para escrever uma newsletter preciso de uma média de 4 horas ininterruptas com um café e, quem sabe, uma música no fone de ouvido. Quatro horas ininterruptas para uma mãe é um tempo quase inencontrável. Me pego fora desse tempo no dia a dia: durante as horas ininterruptas que tenho, me dedico ao trabalho para as marcas das quais faço parte e ao pilates semanal — não “sobra” tempo para uma newsletter pessoal.
Ainda assim, insisto em querer buscar o tempo. Não as quatro horas ininterruptas, mas a feitura de um tempo mais espaçado, que permite a criatividade fluir de forma mais sã, que possibilita uma criação com pausas, um respiro na praia antes de seguir, uma caminhada com as crianças na rua antes do anoitecer. Insisto em relembrar e relembrar e relembrar e relembrar e relembrar e relembrar quantas vezes for necessário que é preciso ter tempo para um pouco de tudo daquilo que nos compõe — não porque é algo dado que nos compõe, mas porque isso tudo nos compõe porque desejamos e porque seguimos movendo esse desejo de ser mais disso tudo.
Percebo que, talvez, para ter mais tempo de qualidade, preciso abrir mão de algumas outras coisas: um curso que encerra e eu defino não me inscrever em outro, um trabalho que finaliza e defino não buscar outro, uma ideia de projeto que chega e defino contratar mulheres que me apoiem na construção dele para não fazê-lo só e sobrecarregada.
Para ter mais tempo de qualidade, defino deixar de rolar as redes sociais e ler mais do livro que estou lendo hoje. Defino dar um mergulho no mar no final de tarde com as crianças. Defino escolher um filme com meu parceiro. Defino arriscar um surf mesmo com medo. E volto outra. Volto eu. Volto essa coisa mesma e distinta.
Com menos tempo, mas com mais tempo.
Agora, 01:16, a hora que escrevo este e-mail, defino terminá-lo, pois prefiro usar meu tempo em horas de sono.
Referências das quais me nutri nesses últimos dias e acho que você pode curtir também
((lembrando que: eu ia fazer um pequeno resumo sobre cada uma delas, mas não desejo convencê-la a nada, desejo que você deseje e que movimente seu desejo em coisas transformadoras. Então, recomendo que você pesquise e use seu tempo nessas preciosidades se você achar que faz sentido para sua vida))
- Livro Nós, de Tamara Klink, escritora e navegadora solo
- Livro Temporada de Ballenas, de Tamara Silva Bernaschina, escritora uruguaia
- Agenda Mandala Lunar, sou suspeita, mas estou no meu 7º ano de uso
Se este texto fez sentido para você, me responde aqui nos comentários? Assim eu sei que você tá por aí sendo tocada.


Comentários