Eloquência da sardinha, de Bill François
- Bárbara Viacava

- há 18 horas
- 2 min de leitura
Antes das incríveis descobertas científicas sobre a Terra, contava-se que as pessoas navegadoras iam ao mar e, passado um tempo a bordo, paravam para descansar assim que avistavam uma ilha. Se acomodavam formando um círculo e acendiam uma fogueira, mas logo que o fogo ateava, descobriam que o local onde aportaram não era uma ilha, mas uma baleia que estava já em fúria por ter seu descanso desrespeitado.
Há mais ou menos dois mil anos, Plínio, o velho, tateava algumas investigações sobre o mundo em busca da verdade. Algumas descobriram-se diferentes do que ele imaginava à época, mas outras mostraram-se muito verdadeiras ou próximas, como o fato de que as focas dormem como os humanos, entram em estágio de sono REM e, inclusive, sonham. Apesar do valor imenso dessas descobertas e comprovações científicas, perdeu-se algo igualmente belo: o poder de encantar-se com os mitos, com as histórias, com a magia do mundo.
Ler "Eloquência da sardinha, histórias incríveis do mundo submarino" é poder resgatar esse encantamento, que vem muito da ciência, mas também de histórias outras do fundo do mar.
Descobri que as baleias bebês aprendem canções com as gerações mais velhas e a modificam levemente, criando algo novo e único, não tão novo, mas muito único até que outra geração a modifique. Que em alguns locais do mundo os golfinhos e pescadores auxiliam-se na pesca da tainha, em um pescar-com, e que isso acontece bem aqui ao lado da cidade onde escolho viver. Que no fundo do oceano escutam-se os mais diversos animais, mas também as ondas que passam pela superfície e o trânsito dos navios cargueiros que circulam o mundo capitalista de um mar a outro.
Aprendi que os peixes mantêm laços sociais entre espécies diferentes e inventam linguagens variadas para comunicarem-se. Penso que se isso não faz o mundo mais belo não sei então o que faz. Que o camarão tem o esqueleto por fora do corpo e quase todos os meses ele sai de seu esqueleto, permanecendo vulnerável por alguns dias, para então formar-se um novo. E que para eles a audição, paladar e palavra-comunicação se misturam, pois todas acontecem a partir de suas antenas.
Se hoje trago essas histórias pra cá é por um desejo genuíno de que elas te encantem como me encantaram: o suficiente para que falemos delas para outras pessoas, assim como o autor do livro desejou ao publicá-las. E para que sigamos contando as histórias do fundo do mar e suas belezas, que tornam o mundo mais azul azul (um amor azulzinho, como diz djavan)
e porque que lindo saber que se essa noite sonhamos,
há também uma foca no oceano profundo a sonhar
exatamente no mesmo instante
Ficha técnica
Livro: Eloquência da sardinha
Autor: Bill François
Publicado no Brasil pela Editora Todavia
Traduzido por @julia_simoes

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